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FXD
Dyna Wide Glide
TECNICAMENTE FALANDO:
Sinal
vermelho, a moto pára. Fica completamente cercada pelos carros que
congestionam uma avenida na zona sul. O vidro da janela de um dos carros se
abaixa. Surge o rosto de uma bela e curiosa garota, para ver a moto mais
de perto. A marca tradicional no tanque e o nome na tampa cromada do filtro de
ar são pronunciados. Dá para ler os lábios sensuais da garota, que murmura:
Harley-Davidson, FXD Dyna Wide Glide.
Moto de Rogerio Ducasble
A cena vivida pelo piloto
pode ser considerada "normal" quando se trata dessa marca americana.
Uma motocicleta norte-americana sempre chama a atenção mesmo de pessoas que não conhecem muito
sobre moto. Para quem já é iniciado, uma informação importante: a Dyna Wide Glide pode ser considerada uma das melhores opções de harley, inclusive pelo
seu custo/benefício. O modelo é um meio termo em preço (U$$ 21.900),
mas oferece porte e acessórios de versões mais caras.
SENSAÇÕES
ESTRANHAS
"Se
eu tentar explicar, você não vai entender". Essa frase numa
camiseta, um "acessório" original da marca, resume que andar de
motocicleta norte-americana sempre causa sensações diferentes, mesmo para quem já tenha
experimentado dezenas de outras motos. Essas sensações começam ao se
aproximar da máquina, que carrega tradições e lendas, tanto que neste ano a
marca completou 95 anos.
A Dyna
Wide Glide pode ser considerada como uma das motocicletas norte-americanas mais
motocicletas norte-americanas, para ser
usada em qualquer ocasião, seja na estrada ou no dia-a-dia, como se fosse uma
calça jeans (outra lenda americana), sem frescuras ou exageros em acessórios,
mas com o que há de melhor, principalmente o motor da série evolution, de
1.340 cc (uma evolução do tradicional 1.200 cc). Esse mesmo motor, a maior
cilindrada da marca, está presente nas motocicleta norte-americana mais caras, como as top
de linha Road King ou Heritage Springer Ol'Boy.
Aquelas
tais sensações diferentes vão aumentando quando se senta no banco, mãos no
guidon e, em vez de ligar a moto e partir, a gente fica ali, parado por alguns
minutos, curtindo formas e cromados. As próprias características visuais
de uma motocicleta norte-americana, cuidadosamente mantidas por décadas, ajudam a produzir essas
sensações.
Entre
elas, o peso, que em ordem de marcha é de 290 Kg na Dyna. porém uma das
vantagens da motocicleta norte-americana á a instalação longitudinal do seu motor em V, com um
baixo centro de gravidade - ajudado pelo virabrequim e câmbio separados,
colocados na parte mais baixa do quadro. o piloto, na verdade, sente o
peso da moto até levantá-la do apoio lateral para a posição vertical.
Depois, a moto faz o resto sozinha", bastando que se tenha um pouco de
manha e paciência, passando a estudar com atenção as manobras antes de executá-las,
apoiando sempre a moto terreno firme e estrategicamente posicionada para
sair depois - para não precisar empurrar.
PODER
E FORÇA
Ligando o
motor, vem o delicioso som do motor V2, afinado pelos dois escapamentos
separados, dispostos do lado direito da Dyna Wide Glide. Nas primeiras
aceleradas sente-se o torque de 7,9 kgf.m aparecer no seu auge em apenas 3.500
RPM, passando ao piloto a sensação deliciosa de "força bruta" e
poder. Esse poder é tanto que chega a esticar a correia de transmissão -
de borracha, outra característica peculiar das motocicletas norte-americanas mais atuais - nas
acelerações mais fortes. Fica uma sensação engraçada, como se a
traseira da moto tivesse se transformado num grande elástico, "catapultando"em
seguida a moto para frente.
Após os
primeiros buracos nas ruas, o piloto percebe que a sua companheira americana
deverá sempre ser pilotada com cuidado, inclusive com algumas escolhas de
trajetos e estradas, porque um desnível maior no asfalto ou uma junta de dilatação
defeituosa numa ponte - normalmente descuidadas em quase todo o País - pode
judiar (e muito) da suspensão da motocicleta norte-americana - ou de qualquer outra custom.
nestas condições a suspensão traseira, com dois amortecedores na Dyna Wide
Glide se mostra delicada, especialmente se a moto estiver com garupa.
No entanto, mais fácil de ajustar do que as suspensões de um modelo Softail
(suspensão traseira com o amortecedor escondido, imitando
"rabo-duro"). Na Dyna, a posição n. 3, intermediária nos dois
amortecedores se mostra mais adequada, meio termo entre conforto e rigidez.
Seja como for, em poucos quilômetros com a Dyna e após "algumas pancadas
secas", o piloto se transforma numa verdadeira "águia", capaz de
ver um buraco de longe, a tempo de desviar.
Rodar,
rodar...
Fora o
"HORROR" aos buracos, a Dyna Wide Glide quer mesmo é rodar, rodar,
rodar,... até onde o piloto desejar. As curvas representam outras
deliciosas sensações, quando se sente a moto oscilar levemente, parecendo
voar, acompanhando as ondulações do piso. Em pouco tempo o piloto já
apurou a sua sensibilidade, de maneira a "sentir"e aproveitar cada
curva. Passa então a descobrir que esta motocicleta norte-americana é ótima para as
curvas, bastando que o piloto não brigue com a moto forçando-a agir como se
fosse uma superesportiva. Basta respeitar suas características.
pode-se inclusive "entrar forte" na curva, sempre dentro da velocidade
limite para a moto, com tomadas de curva corretas, inclinação da moto com a
ajuda do corpo e aceleração bem calculadas. A Dyna Wide Glide responde
com firmeza e passa muita segurança. O consumo é bem aceitável
para um motor de 1.340 cc. A média foi de 17 Km por litro na estrada.
isso significa cerca de 297 quilômetros de autonomia para um tanque de 17,5
litros. na cidade o consumo foi maior, com média de 14 Km/l. A velocidade
máxima foi de 166 km/h reais, quando o velocímetro marcava mais de 180 km/h.
TRADICIONAL
O grande motor
quatro tempos de 1.340 cc da série Evolution mantém suas características
tradicionais, com duas válvulas por cilindro, comando de válvulas no bloco do
motor, refrigeração a ar, e a conhecida disposição dos cilindros em
"V", abertos entre si num ângulo de 45 graus. Justificando seu
nome, Evolution (nascido no final dos anos 80), tem "modernidades",
cuidadosamente escondidas para manter a tradição das motocicletas
norte-americanas. Como um
carburador Japonês Keihin de 40 mm, instalado atrás da caixa de ar, e até uma
moderna ignição eletrônica. O tanque de óleo, sutilmente desceu para
junto do câmbio, juntamente com sua bomba dupla de óleo. Um filtro de
lubrificante, fica a frente do "V " do motor, enquanto que a partida
elétrica fica na traseira. para a linha 1998, a motocicleta norte-americana introduziu um novo
sistema de embreagem, que agora conta com nove discos de fricção ( antes eram
seis) para, teoricamente, deixar a embreagem mais macia. Na prática entretanto,
a diferença não é muito notável...
Reluzente,
o motor Evolution exibe pelo lado esquerdo uma grande tampa lateral que oculta a
corrente dupla de transmissão primária (que une motor e câmbio) e a correia
dentada feita inteiramente de borracha e fios de kevlar. Graças a
essa correia, a motocicleta norte-americana obteve um motor muito silencioso e que, de quebra,
dispensa freqüentes manutenções necessárias nas correntes de transmissão.
O quadro
da Dyna Wide Glide é dos mais esportivos da linha, sendo totalmente construído
em tubos de aço, formando um duplo berço para o motor. A
suspensão dianteira é composta por bengalas telescópicas (Showa japonesa),
formando um conjunto "bem casado" com a suspensão traseira (também
Showa). Os freios a disco do tipo fixo (290 mm cada) para as duas rodas,
acionados hidraulicamente por pinças de único pistão, mostraram-se
eficientes, apesar de exigirem uma certa força para o acionamento .
Esse fato deve ser considerado como uma característica das motocicleta
norte-americanas, nunca um
defeito. "Quem não tem pulsos firmes (para freio e embreagem) não
deve ter uma motocicleta norte-americana", dizem alguns harleyros...
As rodas da Dyna
Wide Glide, que até 1996 eram de liga leve, agora são do tipo raiado.
Os pneus Dunlop Elite S/T mostram-se mais apropriados para o uso no bom asfalto
americano, um pouco "duros" e lisos para os (muitos) trechos de
asfalto escorregadio do Brasil, especialmente sob chuva.
MOTOCICLETA NORTE-AMERICANA...
É MOTOCICLETA NORTE-AMERICANA
Fat Bob
("Bob Gordo") é o nome do modelo de tanque que equipa a Wide
Glide. Reestilizado, recebeu um console mais sóbrio e baixo, mantendo no
centro o medidor de combustível e a tampa do bocal de abastecimento - sem
chave. O painel tem apenas o essencial: um velocímetro, com
hodômetros (total/parcial) digitais, sendo que o pequeno visor de cristal
liquido fica na parte inferior da escala ( até 220 Km/h). Cinco
luzes espia (piscas, neutro, farol alto e pressão do óleo) estão embutidas no
suporte do velocímetro e são difíceis de se ver sob o sol. Os
controles do guidão são os mesmos de outros modelos de motocicletas
norte-americanas, fáceis de operar:
do lado direito, partida elétrica, corta corrente e pisca direito.
Do esquerdo, farol alto/baixo, buzina e pisca esquerdo. os piscas tem
acionamento prático, podendo ser acionado ou cancelados com um toque de dedo.
Detalhes
como o suporte em forma de chapéu sob o farol ( cuja lente é fabricada na
Alemanha) ou a buzina, que tem som de buzina de automóvel ("fon-fon")
em vez do tradicional "bi-bi"das motos), completam as características
"de personalidade' da Dyna. O banco em forma de degrau também é uma marca registrada da Dyna, muito confortável para o piloto,
mas merece um reestudo na parte reservada ao garupa: a alça de apoio
fica muito atrás e o passageiro acaba ficando na beirada do assento.
Entretanto todos esses detalhes, mesmo os "pequenos defeitos",
como o ponteiro do marcador de combustível balançando, acabam se tornando
lembretes divertidos da personalidade e da marca quase centenária. O
piloto acaba sorrindo para o medidor de combustível e se lembra da frase:
" motocicleta norte-americana...é de motocicleta norte-americana e ponto final".
Paulo Bambira
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