A insana Harley Fat-Boy já com o novo motor de 88 polegadas ou de
1450 cm cúbicos foi transformada por inteiro, caracterizando um
padrão novo e muito diferente do que encontramos por aqui.
Betão queria que a moto fosse toda reconstruída e não usando peças
importadas disponíveis no mercado, como Arlen Ness, Performande
Machine e outras. “A personalização está em criar e não trocar e
os brazucas tem know how para isso”.
Desmontada por completo, a Fat sofreu alteração no quadro que foi
aumentado em 20 cm, para na frente abrir o ângulo de cáster e na
traseira, receber uma nova balança. Aliás, esta é uma verdadeira
peça de arte, mostrando toda criatividade do autor, realmente uma
obra para exposições, com duas barras reforçadas de formas
exclusivas e por ser parte importante na estrutura da moto, foi
testada em prensa, suportando 6 toneladas.
Outro trampo difícil ficou para adaptação das rodas Kawasaki aro
17 polegadas, principalmente a traseira que teve a largura
aumentada para absurdas 11 polegadas. O pneu Michelin tem a
largura de 200 e olhando de cima, a roda é pouca coisa mais larga,
suportando fácil um 250 ou mais.
No disco traseiro, uma enorme pinça de seis pistões segura a
máquina, onde diferente de modelos esportivos, nas custons, a
traseira em certas situações tem quase a mesma responsabilidade de
frenagem da dianteira.
O que pega mesmo é a transmissão final, com a correia ficando de
fora. A corrente usada é forte demais, vindo daquelas
empilhadeiras que levantam pesos absurdos. O curioso é que pela
roda ser bem larga, o pinhão fica alinhado com a coroa e por isso,
a corrente vai até a ponta de um eixo próximo a roda e na outra
extremidade, nova corrente chega na coroa. Ufa! será que deu pra
entender? Melhor ver na foto.
Garupa esquece, se quiser passear, vai ter que sentar no colo. O
design ficou muito diferente, pela junção da mecânica H.D. com
rodas de liga leve e pneus esportivos mais a nova balança.
O
tanque foi modificado tanto na forma, sendo mais comprido, como
ainda leva de bandeja um cilindro NOS embutido na lateral, com
muitas horas de trabalho artesanal para se obter um encaixe
perfeito.
Este cilindro injeta nitrogênio no carbura, aumentando cerca de 35
cv, sendo o filtro substituído por um cônico de linha automotiva e
se não pegar água, beleza, caso contrário ele aspira tudo pois não
tem caixa para protege-lo. Para soltar a cavalaria, o escape foi
feito a mão, muito doido e berra alto.
Outras peças produzidas foram: os pára-lamas, banco, pedaleiras e
seus suportes. Quem vê, não imagina que foi tudo feito aqui e a
mão.
A pintura é de autoria dos profissionais Targino (FF
Motorcycles) e Beto “Criatura” que mandaram bem, deixando a moto
ainda mais bandida.
O resultado ficou surpreendente, colocando o Brasil mais uma vez
em destaque, mesmo se tratando de uma Harley que é uma das motos
mais modificadas no mundo e diferente da maioria.
Revista Moto&Técnica nº87 pág. 28-35.