ROAD KING

Road King - Com seus 315
Kg, 2.394 cm de comprimento e 1.020 cm de largura, a Road King pode assustar.
Rodando com a Road King as impressões negativas desaparecem.
Com exceção do duro acionamento da embreagem, que pode ser resolvido com a instalação
de um Easy-Boy, e o câmbio pesado, a dirigibilidade, mesmo na cidade é extremamente
agradável, guidão largo e força no motor resultam num rodar tranqüilo,
até que sedutor . As reduções de marchas se tornam opcionais, já que por
um lado o V2 não é exemplo de potência máxima (são míseros 60 cv), sua
confecção antiga casada com a alta cilindrada, imprimem valores de torque exuberantes,
onde qualquer acelerada, em qualquer marcha, empurram o conjunto moto / piloto
/ garupa / bagagem... com extrema facilidade. As suspensões cumprem
bem o papel. na frente, um conjunto formado por garfo telescópico tradicional
concilia maciez e bom funcionamento, desde que se trafegue em pisos decentes.
Buracos, ondulações e outros desníveis acentuados fazem chacoalhar a dianteira
sem grandes sustos. Em alusão à própria frase dos harlistas (as
motocicletas norte-americanas não
tem defeitos e sim características) as prefeituras poderiam usar algo
parecido: os buracos nas ruas não são defeitos e sim características.
Bem, voltando a Road King, sua suspensão traseira
oferece ainda regulagem em seus amortecedores
pressurizados. Os freios, embora com acionamentos pesados seguram sem
problema os quase 400 Kg da dupla moto e piloto. Na roda dianteira, dois
discos são mordidos por pinças de pistão único, enquanto na traseira, um conjunto
de discos simples e pinça completa o conjunto.
Algumas
estranhezas
continuam: o marcador de combustível incrustado na tampa do tanque, os comandos
( dois botões de setas direcionais, um em cada punho), chave de ignição com
portinhola e start sem corte de segurança ( se der a partida com o câmbio engatado...)
são alguns deles. Toda
motocicleta norte-americana sai de linha de montagem com um
propósito: rodar. Não foram feitas para proporcionar desempenhos empolgantes,
nem estabilidade de causar inveja, muito menos baixo consumo de combustível.
Com isso seus números de performance são apenas razoáveis, mas dentro do universo
das motocicletas
norte-americanas,
velocidades de cruzeiro podem ser efetuadas ao redor dos 120/130 Km/h sem nenhum
problema (pelo contrário, neste ritmo ela é perfeita), com um consumo médio de
gasolina na casa dos 17 Km/litro. Esqueça porem os
números de performance. O que importa mesmo é saber outros números.
Como toda motocicleta
norte-americana reflete exatamente o seu domador, muitas vezes pode-se
gastar U$$ 50 mil só de acessórios e modificações. Este é o espírito,
este é o mito. Seria também a chave do sucesso? Pode ser, afinal
de contas qual marca pode produzir motocicletas que custam o mesmo que muitos
carros de luxo, não oferecem apelo tecnológico e fazem seus futuros proprietários
ficarem em lista de espera?
Road
King Classic
Foi inevitável. Cedo ou tarde surgiria uma
motocicleta norte-americana com motor alimentado por um
sistema de injeção de combustível. O fato é inquestionável: a Road King
Classic agora tem injeção eletrônica. Discute-se ainda se cedo ou tarde.
Para a evolução motociclística, um pouco tarde. Mas para os harley-maníacos,
cedo demais.
Os
bicilíndrico de Milwaukee são motores tradicionais, mas tiveram que se adaptar
às normas "antitudo" atuais (anti-emissões, anti-ruído, etc...) para,
no futuro, sobreviver. Mas o resultado é positivo: quando se experimenta uma
motocicleta norte-americana original, com carburador, a decepção é grande. Isso porque, para atender
as normas de emissões é necessário cortar drasticamente o fornecimento de combustível,
e para passar pelas normas anti-ruído ela tem escapamentos que nem o pior inimigo
das motocicleta
norte-americana poderia criar. E assim o motor leva tanto tempo para atingir sua
temperatura ideal de funcionamento que a espera é de atormentar. É lógico
que, depois de comprada, tanto escapamentos quanto carburadores são imediatamente
"consertados".
A motocicleta
norte-americana equipada com injeção não decepciona. Pelo contrário: comparada a versão
com carburador " original" ela é muito melhor. Os escapamentos continuam
com ronco esquálidos, mas os equipamentos acessórios servem para que? E a grande
vantagem é que agora as
motocicletas norte-americanas estão preparadas para enfrentar os próximos
anos sem o temor de tanta homologação.
A motocicleta
norte-americana Heritage Springer 1998 é praticamente uma réplica da
H. D. Panhead de 1948, e por esse motivo pode representar uma viagem ao passado.
Muito diferente da Road King Classic, ela é uma adaptação da Springer, que tem
a suspensão dianteira do tipo estilingue, com as molas cromadas aparentes.
Esse modelo vem equipado com bolsas laterais de couro, assim como o selim individual,
ambos decorados com filetes vermelhos que, combinando perfeitamente com a pintura
do tanque, resultam em um efeito final fantástico.
Em contraste com a nova Road King Classic, a Heritage Springer tem comportamento
muito mais rude, com a suspensão traseira mais dura e o motor menos amigável
que o outro com injeção. O freio dianteiro poderia ganhar um pouco mais
de capacidade de frenagem, caso fosse adotado o disco da Bad Boy, que utiliza
a mesma suspensão.
Apesar da rudeza, a Heritage oferece muito mais prazer de pilotagem: a posição
do piloto é simplesmente perfeita, e a suspensão dianteira muito eficaz.
Interessante também é ficar observando o funcionamento das molas enquanto dirige.
Pode-se sentir um pouco de vibrações, mas isso é devido à fixação do motor sem
coxins.
A Road King nada mais é que uma Road King com alguns componentes
personalizados. As rodas de liga leve deram lugar a elegantes rodas raiadas
com pneu de faixa branca, e o banco de duas peças foi trocado por outro com
linhas harmoniosas, que combinam bem com os alforges de couro que substituem
as malas rígidas da Road King.
Na Road King a injeção de combustível não é opção, mas de série, assim como
o pára-brisas bastante eficiente e muito engenhoso: bastam 10 segundos para
desmontá-lo e descobrir porque a carcaça metálica do farol da Road King é o
componente mais desejado para personalizar outras
motocicletas norte-americanas.
Ao acionar o botão de partida da Road King, logo se percebe a diferença que
o sistema de injeção faz. Imediatamente a rotação se estabiliza, o que
não acontece com um motor ( com carburador) frio. Até o impossível para uma
motocicleta norte-americana tradicional pode ser feito: em última marcha, deixa cair a rotação atingindo
a marcha lenta (uns 40 Km/h) e acelerar tudo de repente. A rotação aumenta imediatamente
sem trepidações ou falhas. O seu motor é montado sobre coxins de borracha, e
as suspensões são controladas pneumaticamente. Quem diria, injeção, suspensão
pneumática.... As
motocicletas norte-americanas não eram obsoletas?
Como tudo não são flores, a Road King tem uma posição para o piloto que deixa
a desejar em conforto, pois as mãos não mantém boa empunhadura no guidão.
A plataforma para os pés também não é a mais cômoda, apesar de mais clássica
que as pedaleiras comuns.
Os freios não são o que se gostaria para a motocicleta que une tão bem a tecnologia
com o estilo retrô: ela nada fica a dever para as motocicletas rivais de olhos
puxados, mais modernas. Porém, de cara, muito menos originais.
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